quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Moreira Campos por Cândido Rolim

(Cândido Rolim, natural de Várzea Alegre, Ceará. Publicou diversos conjuntos de poemas, como Exemplos Alados, 1997. Tem artigos, poemas e ensaios sobre poesia em revistas do Brasil e sites de literatura)

A primeira vez que estive com Moreira Campos foi na residência do poeta Caetano Ximenes Aragão, amigo íntimo do contista, ocasião em que os dois leram textos, inclusive uns versos do Moreira, de forte marcação ibérica, tradicional (villancetes). Era comum no início da década de 80 haver encontros dos dois e suas esposas, aos domingos, na casa da Rua José Villar, 1424. Tinha eu então 17 anos, tímido, reservado. Limitava-me a ouvi-los, especialmente a Caetano que recitava Lorca, Rafael Alberti e Miguel Hernandes (el perito en lunas). Recordo-me de um comentário acerca de autores favoritos. O Moreira confessou que não podia ler Graciliano Ramos, tal a impregnação estilística que lhe causava o estilo do alagoano. Lembro-me também que ao informar que meu pai era de Lavras da Mangabeira, o Moreirinha, como era carinhosamente chamado pelos amigos, me contou vários casos da terra, relatando também imagens de sua infância, quando comia mangas e se lambuzava com os caroços.
Narrou-nos algumas proezas de Raimundo Augusto, delegado da comarca, inclusive o caso que inspirou o conto "O Preso".

Nilto, esse é o relato mais fidedigno, cabal à minha inexperiência e timidez de antanho. Mas reproduz fielmente a imagem que tive do Moreirinha, então baixo, magro, quase com oitenta anos, mãos diáfanas, calças colhidas acima da cintura, meticuloso, paciente, de humor ao mesmo tempo respeitoso e ágil. O que eu falar além disso correrá o risco de enveredar pela literatice e por uma cabotina traição à memória objetiva. Cândido.

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