quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Moreira Campos por Eugênio Leandro


(Compositor e escritor nascido em Limoeiro do Norte, Ceará)

Conheci a fama de Moreira Campos em 1979, no básico da Faculdade de Direito. Na convivência com escritores do O Saco, Siriará, Nação Cariry, revista Pássaro, entrançando pelo Bosque da Letras, seu reduto, ouvia seu nome, sempre com uma aura de consideração e respeito, como se falassem de uma última ave de uma raça em extinção. Tive acesso mesmo ao seu texto nas cadeiras de Letras. Divididos em equipes, teatralizamos diversos dos seus contos, apresentados em algumas tardes, no palco do Teatro Universitário.


No Siriará, sabia que o Adriano Spínola era seu sobrinho. Curioso, perguntava algo sobre ele e ficava por isso mesmo. Quando resolvi publicar o Rei Piau, em 1985, perguntei ao Adriano se o seu famoso tio leria meus contos. No Bosque da Letras, eu o via passar, a cabeça sempre bem adiante do corpinho raquítico, pele clara, que sofria com o sol, voz mansa, parecia levitar. Numa dessas passagens, eu mesmo me apresentei, a ele entregando um calhamaço de contos que acabara de conferir na gráfica. Solícito, disse que leria e, com uma semana, fosse à casa dele. Fui e com ele sentei uns bons três quartos de hora, na varanda, tomando refresco, a ouvir suas considerações, vendo que ele escrevera comentários abaixo de cada conto. Lembro que gostou do que leu, e chamou minha atenção para alguns detalhes, como separar melhor poesia e prosa. Guardo com muito carinho essas lembranças do Mestre.

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