terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Moreira Campos por Lourdinha Leite Barbosa



(Lourdinha Leite Barbosa, professora e contista nascida em Ipu, Ceará. Seu primeiro livro de contos foi A arte de engolir palavras, de 2001)

Por volta dos anos 80, fiz um curso de especialização na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Ceará e tive oportunidade de conversar com o professor e contista Moreira Campos, de cujos contos eu já era grande admiradora. Lembro-me de suas concorridas palestras e de seu modo envolvente de falar. Ele era tão cativante que, na saída, formava-se um círculo à sua volta. Todos queriam lhe dizer algo e ele os atendia com delicadeza.

Certa vez, íamos promover um curso no Centro de Humanidades da UECE e eu fui até o seu apartamento para que ele me falasse sobre seu processo criativo, já que seus contos fariam parte do estudo. Embevecida fiquei, ouvindo-o falar sobre a precariedade do ser humano, substância de sua ficção. Segundo ele, uma notícia de jornal ou um fato ocorrido que mostrassem a fragilidade do homem poderiam se transformar em arte por meio da palavra. E exemplificou com o conto O banho que fora inspirado numa nota de jornal sobre pessoas presas por tomarem banho no tanque do Cemitério São João Batista.

Antes da publicação do meu primeiro livro de contos, fui ao seu apartamento e lhe pedi que lesse uns dois contos e me desse uma opinião. Ele fez alguns comentários sobre a linguagem, o fato de a narração sugerir mais do que explicitar e me incentivou a publicar. Isso foi muito importante para mim.

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